quarta-feira, 21 de julho de 2010

Cloud 9

Há queixas de que ando desaparecida ou em modo-zombie! Pois bem, são verdadeiras e justificadas! E eis a razão:

"Nuvem 9, um panfleto à afirmação da sexualidade. Duas épocas distintas: período vitoriano e período neoconservador sob a égide da Dama de Ferro. Os papéis sexuais e sociais podem inverter-se, alterar-se segundo a escolha de cada um mas, as relações pais-filhos, as relações amorosas, e de poder, mantêm-se incrivelmente semelhantes às da época vitoriana.




Cloud 9, a partir de Caryll Churchill; Encenação: Pedro Barão; Direcção de actores: Ávila Costa; Interpretação: Ana Neves, Andreia Lopes, Diana Ferreira, Fernando Lopes, Joana Tavares, Lara Mesquita, Lara Ramalho, Liliana Rosa, Mª de Fátima Teixeira, Margarida Gonçalves, Mauro Hermínio, Nádia Barros, Nuno Martins, Pedro Fabrica , Rita Paraíso, Rodrigo Pereira, Sandro Amaro, Sónia Santos; Apoio ao trabalho vocal: Luciana Ribeiro e Ângela Silva; Apoio ao trabalho de corpo: Inês Jacques; Luz: João La Cueva; Som: José Alvega; Montagem cenográfica: Octávio Pereira Produção executiva: Ana Domingos



22, 23, e 25 de Julho às 21h30- Auditório Camões: R. Almirante Barroso, 13. C - Lisboa; Reservas: 21 315 78 15



24 de Julho às 21h30 no MOSTRA-TEATRO; Centro Cultural Malaposta: Rua de Angola – Olival de Basto; reservas: 21 938 31 00



Bilhete: 5 €"


Só para adultos!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Tips for Single Ladies (1938) I

Talvez eu tenha uma ideia um pouco diferente da maioria no que diz respeito aos papéis entre géneros...Ok, tenho! Mas já aprendi a não atingir o interlocutor com um discurso propagandista quando alguém (lamentavelmente, é certo!) se lembra de referir que a Beyonce é feminista (Ahaahahahhaah!!!Hihhiihhihi!) ou que num casal a mulher é que deve cozinhar "porque tem mais jeito"...

Assim, é para gláudio de ambos os sexos (diferentes, sem dúvida e ainda bem, mas igualmente respeitáveis) que deixo estas pérolas editadas numa revista feminina em 1938 (gosto especialmente do ar chocado do senhor quando a rapariga está ao seu lado SEM SOUTIEN!!!):




 
 

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Faith No More - Epic

No rescaldo do fantástico, grandioso, épico concerto de ontem...

(esta fotografia já deve ter uns bons aninhos, uns quilos a menos e cabelos a mais)

Can you feel it ,see it, hear it today?

If you can't, then it doesn't matter anyway

You will never understand it 'cause it happens too fast

And it feels so good, it's like walking on glass

It's so cool, it's so hip, it's alright

It's so groovy, it's outta sight

You can touch it, smell it, taste it so sweet

But it makes no difference 'cause it knocks you off your feet

You want it all but you can't have it

It's cryin', bleedin', lying on the floor

So you lay down on it and you do it some more

You've got to share it, so you dare it

Then you bare it and you tear it

You want it all but you can't have it

It's in your face but you can't grab it

It's alive, afraid, a lie, a sin

It's magit, it's tragic, it's a loss, it's a win

It's dark, it's moist, it's a bitter pain

It's sad it happened and it's a shame

You want it all but you can't have it

It's in your face but you can't grab it

What is it?

It's it

What is it?...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Romero Britto




Hoje andava com apetites por explosões de cor e linhas fortes... E nada como as obras de Romero Britto para ficar saciada! Assim como Agatha Ruiz de La Prada, utiliza cores fortes e chamativas, porém com imagens muito quotidianas (e também com uma grande vertente comercial, mas como acho que um artista não tem nem deve andar a morrer à fome por amor à arte...) . Conhecido por algumas campanhas publicitárias (Absolut Vodka, por exemplo, sendo a campanha que lhe deu fama), mora actualmente em Miami, Florida.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Adeus Saramago



Um adeus a um escritor muito particular, criatura de ideais ferozes e carácter vincado! Impossível ficar indiferente aos seus polémicos discursos e muito menos à sua obra. Há quem goste e há quem não suporte a sua forma de escrever...eu estou dentro do primeiro grupo! Sim, há obras suas pelas quais se passa e pouco fica, mas como esquecer a mística Blimunda e o seu Baltazar, figuras que ganharam vida no Memorial do Convento (1982, lá está, um excelente ano!)? Ou a perda progressiva do humanismo na humanidade do Ensaio sobre a Cegueira? Por alguma razão são obras de destaque...
Adeus Saramago, autor dos livros que me fizeram passar horas a ver a realidade de forma descritiva e literariamente analitica (lembro-me de uma particular viagem de autocarro, ainda andava na Universidade...)
Adeus Saramago!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O lixo - Luís Fernando Verissimo

Ainda esta semana (como são ricas as minhas semanas!) foi-me apresentado um maravilhoso texto de Luís Fernando Veríssimo. Quem mo deu a conhecer foi a minha fantástica professora de Corpo e Movimento, mulher de uma energia vital única e, desconfio, uma alma velha! Ora, como boa brasileira, trouxe este pequeno conto que eu achei delicioso!

«O Lixo
Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
- Tranquilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?»


Fantástico! Claro que fiquei logo a pensar que análise da minha pessoa poderia ser feita através do lixo... e realmente é assustador! Desde hábitos, alimentação, actividades recentes... Depois veio logo a imagem de um vizinho a espreitar o contentor!!! Medo!

Acabei de reler o que escrevi e notei que utilizei um exagero de adjectivos como "fantástico", "maravilhoso", "delicioso" e no entanto escrevi tão pouco! Influências de ser sexta-feira?! Ou será de me esperar um fim-de-semana no litoral alentejano (sim, é "trabalho", mas pronto...)?
Hummmmmmmmmmmmm

quinta-feira, 17 de junho de 2010